Alívio
Um dia desses, me peguei questionando, entre uma turbulência e outra da vida, o que eu realmente fazia quando estava em paz? Percebi que fazia coisas das quais sentia falta, como sentar embaixo daquele pé de acerola, observar as rosas vermelhas e brancas do meu próprio quintal, observar o céu, e sentir; sentir aquela paz me rodeando, aquele silêncio sendo quebrado pelo canto dos pássaros, que em meio a turbulência sempre me incomodava. Eu buscava por meus pensamentos e não encontrava nada, mas era um nada tão cheio de tudo, tão cheio de conteúdo, que não fazia sentido pra ninguém além de mim. Na paz do meu nada, eu me encontro, me reenergizo, me reorganizo, me reformo. Na paz do meu nada, eu encontro meu eixo, me sinto plena, me sinto grata; Grata por ter aquele momento, aquele sorriso raro e tranqüilo, brincando em meus lábios; Grata por não estar correndo, por não estar sendo cobrada; Grata por ouvir o som do vento dançando com as folhas, e por não existirem vozes atordoadas e rancorosas para atrapalhar aquilo. Eu me sinto aliviada; Aliviada por estar só comigo, por desfrutar da minha companhia, e por ter a percepção dos detalhes; Por perceber que o boldo fica triste, quando não é regado, e precisa enfrentar todo o esplendor do sol; Por perceber que o dia parece mais bonito, quando paramos para absorver as sensações que a natureza nos proporciona; Aliviada pelo frenesi do dia-a-dia não poder me afetar naquele momento, naquele meu instante particular, naquela minha troca de energias com o universo. E por fim, quando o meu momento termina, me sinto tão mais conectada comigo, contigo, com tudo, que se torna muito mais fácil encarar toda aquela confusão, toda aquela cobrança, todas aquelas tarefas incessantes. Eu só acho uma pena, que em tantos lares por aí, alguém esteja tão cansado quanto eu, mas não tenha percebido o quanto o dia está lindo, por caminhar por essa vida tão corrida, tão voraz, e esquecer de abrir os olhos pra contemplar o caminho.

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